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Superman

 

Nesse tempo de fantasia e carnaval, um artigo do professor Jean César Antunes para refletir...

 

O Homem de Aço em nós

Em uma época próspera em heróis do cinema, criaturas fortes, invencíveis e de natureza indomável, acredito que vale a pena refletirmos sobre o que nos fascina nestes seres fantásticos, com os quais nossa fantasia voa, mas nos quais normalmente (e talvez infelizmente) não podemos acreditar.

Os antigos gregos, os pais de nossa civilização, diziam que os heróis eram filhos da união entre deuses e homens, ou seja, uma mescla entre o divino e o humano, e que por isso, trazem em si parte da natureza de ambos.

Mas juntamente com seus poderes incríveis e sua força de vontade sobre-humana, os acompanham sempre inimigos terríveis, às vezes monstruosos e também superpoderosos, e ainda..., algumas fraquezas, resultado de seu parentesco conosco.

Não podemos, para ser sensatos, acreditar realmente que heróis assim sejam possíveis, ainda mais os que são hoje apresentados no cinema. Mas como filósofo, acredito que tudo tem um propósito, uma razão de ser, e que se os velhos gregos conseguiram conquistar a coroa de louros ao ser vitoriosos não apenas contra seus inimigos naturais, os persas, mas também contra o tempo, estando presentes até hoje em nossa cultura (língua, hábitos, arquitetura, etc.), então, como civilização, eles conseguiram ser como seus velhos heróis, que para nós hoje são apenas entretenimento, mas que para eles foram motivo de inspiração. E não seria esse então o propósito de sua existência?

Talvez, os heróis não tenham nascido apenas para nos dar asas à imaginação, mas para que nossa imaginação, inspirada pela elevada nobreza de seu aspecto divino, possa nos guiar a ser mais do que a princípio acreditamos que podemos ser. E até mesmo suas fraquezas, que no cinema sempre nos deixam angustiados ante a possibilidade de que ele não consiga resistir ao inimigo, vêm nos mostrar que justamente, ser heroico, é ser capaz de ser vitorioso apesar das debilidades, sem as quais ele já não seria um herói, mas sim um deus, não sendo assim muito útil como modelo de inspiração, ao estar, por demais, distante de nossa realidade humana.

Dizem que numa certa ocasião, 300 gregos, liderados por seu rei, Leônidas, conseguiram derrotar mais de 20 mil persas num combate, em igualdade de condições. E que por causa deste feito, a antiga Pérsia não conseguir invadir a Europa, impedindo-os de levarem sua cultura ao mundo ocidental. E que se não fosse a decisão daquele rei, e a força incrível daqueles guerreiros, talvez hoje falássemos algum idioma árabe, e vivêssemos os costumes orientais.

A decisão de um homem, aliada à vontade de 300 outros, determinou a história do mundo ocidental.

Para mim, isso nos mostra que não são apenas os grandes movimentos coletivos que determinam a história, mas também, as decisões que tomamos cotidianamente. E também ainda, que um povo não precisa ter seus heróis apenas na literatura (ou em nosso caso, nas telas), mas também em si mesmos.

Ao caro leitor que me lê, fica o convite à reflexão, sobre o herói que pode encontrar aí mesmo, dentro de você. Não o herói do cinema, mas o que vai ao trabalho todos os dias, que cuida de casa, estuda, educa os filhos, ama, crê, duvida, ri, chora... Que tal ser heroico, em sua medida? Que tal fazer, o que quer que faça, tendo em vista que são os seus atos os que, afinal, determinarão sua existência? Que são as suas ações, ao final, as que dirão quem somos nós, o que podemos, quem fomos...

Quem é você? O que quer ser?

 

Jean Cesar Antunes Lima

Professor de filosofia em Nova Acrópole

www.acropole.org.br

rpjardimamerica@acropole.org.br