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Quadro de Portinari
Quadro de Portinari

Ante os recentes casos de pura barbárie, amplamente divulgados pela mídia, no Brasil e no Mundo, cabe refletirmos sobre as causas deste mal. O termo “bárbaro” foi inicialmente usado pelos gregos para designar aqueles que ainda não haviam alcançado uma condição civilizada.
De forma bastante natural, entendemos quando se diz de alguém que seja “humano”, que se trata de uma pessoa de bom caráter, íntegro, honrado e fundamentalmente bom. E é uma questão bastante filosófica e sempre atual, apesar de não estar muito em moda, perguntar-se: O que confere a um ser humano essa condição de ser “humano”. É algo que se aprende?
Podemos acreditar que ao se referirem aos povos não civilizados como bárbaros, nossos pais culturais entendiam que ser civilizado era justamente ter alcançado essa condição de ser “humano”, pois boa parte dos povos chamados de bárbaros possuía costumes que não contemplavam elementos como compaixão, respeito, tolerância, generosidade, complacência, fraternidade, perdão e honestidade, características estas que sempre associamos a hábitos civilizados, a pessoas de boa educação.
Ao estudarmos as velhas civilizações de forma séria, não em sua decadência, mas em sua época áurea, percebemos que o que eles buscavam para si e para os demais, eram essas qualidades que dão ao ser humano o requinte que nos diferencia dos demais seres da natureza, as qualidades ou valores humanos, buscavam a civilização do homem, trazer à tona o que de melhor cada um de nós pode ser.
É fato conhecido que vários povos antigos possuíam sistemas educacionais que visavam dar ao ser humano uma formação global, contemplando desde os aspectos mais básicos de higiene e sobrevivência, até os mais complexos e sutis, como a valorização da justiça e a busca da sabedoria. Os gregos até tinham um nome para essa formação integral do homem: Paidéia; uma forma educacional que gerou, simplesmente, a civilização ocidental, com sua arte, arquitetura, legislação, modelos políticos, ciência, religião e etc., criada por inumeráveis gênios, e impulsionada por pessoas que prezaram pelo ser humano acima de tudo. Uma educação que buscava formar homens justos, valentes e de bom discernimento, em uma palavra, virtuosos.
Estes eram os homens considerados civilizados pelos antigos gregos, e se referiam aos mais excelentes dentre eles, como sábios. E vale lembrar que para eles a sabedoria estava muito além do saber intelectual, tendo mais relação com a capacidade de dar solução aos problemas fundamentais da vida, de ter respostas e capacidade de tomar as decisões certas sempre que se deve decidir e agir, pois de que adianta o saber se ele não for útil para tomarmos as decisões certas na vida? De que adianta ter as respostas e não alcançarmos as soluções?
Podemos encontrar bons exemplos da aplicação destes conceitos. Um excelente foi o de Nelson Mandela nos anos 90, que após 27 anos de prisão política, tendo sido eleito presidente, ao invés de perseguir os que o maltrataram, propôs ao país a reconciliação e a paz, acabando com um regime de segregação racial que, na prática, vinha desde a colonização do país. O que ele propôs foi o Bem e a Justiça, ao invés da vingança e da violência (as reações naturais de muitos outros em seu lugar).
A barbárie não surge por que sim. Ela é o resultado de uma má formação, de uma educação errada, de maus exemplos e de violência, na vida pública e privada. Ela cresce quando alguém decide que é melhor ser esperto do que ser honesto, quando alguém decide aceitar-se corromper a manter a própria dignidade. A barbárie é o fim do humano em nós.
Não podemos fugir a estas questões. O futuro nos aguarda. O que temos a oferecer?

Jean Cesar Antunes Lima
Professor de filosofia em Nova Acrópole

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