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Aquecimento para a palestra dessa semana!

sete chaves

 

Neste sábado teremos boas palestras nas filias de Nova Acrópole Goiânia, no Setor Universitário terá a palestra: "Os três tesouros da saúde", e na filial do Jardim América será: "Sete chaves para amar com êxito".

E pensando no amor, segue artigo da Lúcia Helena Galvão. Boa leitura.

 

Quem sabe… o Amor?

 

Um dia, já ha algum tempo, eu realizava um aula ou conferência na qual abordava o tão polêmico quanto atraente assunto das almas gêmeas, e tratava da unidade possível entre dois seres humanos nos planos físico, psíquico e espiritual, quando, mais do que apenas atração física e afinidades psíquicas, eles compartilham sonhos e ideais.

Lembro-me de um jovem que literalmente se "retorcia", na plateia, visivelmente dividido entre um desejo de acreditar e um ceticismo vicioso e incômodo, ceticismo este que acabou por lançar contra mim de forma agressiva, talvez até por não suportar carregá-lo sozinho.

Após questionar o argumento por todos os ângulos que alcançou imaginar, sem sucesso, ele resolveu apelar para a artilharia pesada: a famosa falácia do “ataque à pessoa”, último recurso quando não se logra derrubar as ideias de alguém com as próprias ideias. Disparou contra mim a pergunta direta e pessoal:  "- Você tem um relacionamento assim?"

Na época, não achei que deveria (e tampouco acho, ainda hoje) abrir minha vida pessoal num contexto como aquele, ante um interlocutor provocativo e predisposto a duvidar. Porém, hoje, trocando ideias com um imenso mar à minha frente, ele me trouxe à tona esta lembrança (sabe-se lá por que mistérios do oceano...) e me veio a indagação: qual seria a minha resposta àquela pergunta?

Talvez eu dissesse: “Deixa eu te contar, meu jovem, como eu vivo e o que tenho. Um dia desses, ao ver uma tempestade desde uma janela, observei como eram belas as árvores fortemente sacudidas pela chuva e pelo vento, e o tapete de folhas que cobria o chão, quando a chuva se ia. Porém, para melhor apreciar a beleza deste quadro, tinha de desviar os olhos de um edifício, grande e grosseiro, que havia à minha frente. O contraste era óbvio: a natureza é bela até mesmo quando destrói; o homem, por sua parte, deixa um rastro feio até quando tenta construir!

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Voltei para casa guardando essa simples observação com a alegria e cuidado de uma criança que carrega uma pequena flor; para quase todo mundo, ela seria banal e inexpressiva, mas meu companheiro a ouviu com atenção, e dialogou comigo sobre como a ação da natureza é um reflexo da Lei do Universo (o Dharma, segundo a tradição oriental), e o quanto a ação humana, contaminada pelo egoísmo, é reflexo do Karma, lei de ação e reação, e, por isso, aparece como ‘feia’ ante um senso estético que busca pegadas de harmonia e de identidade. Aquela cena, antes tão irrelevante, virou uma visão das leis do universo, se desenrolando ali, diante de nós... e nos maravilhamos, juntos, com essa reflexão. E assim também se passou com muitas e muitas outras ‘pequenas flores’; um dia, colhidas em um livro, em outro, numa janela etc etc. Tantos dias, tantas palavras belas, tantas visões especiais que somos capazes de evocar e provocar, um na vida do outro...

No campo do psíquico, eu o ensinei a gostar de algumas coisas, como árias de ópera e poesia, e hoje, ele possui melhor gosto para selecioná-las do que eu, e vemos e saboreamos juntos os detalhes mais belos de cada uma. Por outro lado, ele me fez amar tudo que é engenhoso e organizado, tudo que se ergue sobre um trabalho persistente e justo, e que bate nas portas da história incansavelmente, até abri-las, por mérito do esforço e da inteligência. Através de seus olhos, amei a figura de Abraham Lincoln, a cidade de São Paulo, a figura mítica de Ulisses... logo eu, para quem, antes, a "Ilíada" se resumia a apenas dois personagens: Aquiles e os coadjuvantes!

Ele me ensinou a ordenar cada tempo e espaço da vida, até o quarto de um hotel onde nos hospedamos por apenas um dia, pelo simples requinte e respeito próprio de não querer estar em meio ao caos.

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No plano físico, costumo brincar que sou culpada por vários dos fios prateados de cabelo e as rugas que vão surgindo em seu rosto, como se as achasse feias... para mim, são marcas de uma batalha, e são tão belas... pois sei os obstáculos que deixaram abatidos, atrás de si, e os caminhos que franquearam, para ele, para mim, para tantos...

Ele me ensinou que os ruídos em nossos ouvidos, à noite, muitas vezes são apenas os sons da própria noite que, ao se fazer silêncio fora, podemos identificar dentro de nós, como microcosmos que somos. E esses sons têm embalado nossos sonhos, compartilhados pelas noites afora.

‘-Mas não há brigas?’, perguntaria o meu renitente rapazinho. Sim, há - os pequenos (e médios!) ajustes de personalidades, dificilmente evitáveis. Mas, ainda quando brigamos, sinto que, sobre nossas cabeças físicas (às vezes, mais "duras" do que deveriam!), pairam nossas almas, unidas e buscando ainda, enlaçadas, ouvir e compreender os sons da noite, em si, no outro, em tudo... Unidas pelo amor a estes mistérios, elas jamais se separam, e literalmente ‘arrastam’ os corpos a encontrarem novamente o caminho da harmonia, nunca perdida no essencial...”

Talvez o jovem simplesmente cerrasse o semblante, ou desferisse um irônico e sorridente "É mesmo?", para não se dar por vencido. E eu talvez respondesse, também sorrindo: "Quem sabe?"

Por dentro, porém, haveria só serenidade e certeza, pois eu não creio nisso: eu o vivo. E hoje, essa demanda misteriosa do mar (quem sabe se não foi Vênus e sua voz, trazida pelas espumas?) me pediu que eu o transformasse em palavras e tentasse transmiti-lo aos jovens céticos do mundo, como uma oferenda. Talvez se riam externamente, menosprezem e duvidem; mas terá sido válido se alguma voz, de dentro deles, desde bem fundo, em algum momento, chegar a esboçar a pergunta: “Quem sabe?”

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E mais válido ainda será, se o relato lograr, neste ouvinte eventual, abrir frestas para a luz de um grande Mistério que, (quem sabe?), se chame Amor.

 

Lúcia Helena Galvão

Diretora adjunta de Nova Acrópole Brasil

 

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