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O Retorno de Perséfone

Começa hoje e vai até o dia 21 de dezembro de 2018 a estação das flores ou também chamada de primavera.

E a arte de hoje apresenta-nos o mito grego de Perséfone, filha de Zeus e Deméter, a deusa da Natureza, e celebra o equinócio de Primavera.

Quando sinais da grande beleza e doçura de Perséfone começam a brilhar no início de sua juventude, chamam a atenção de Hades, o deus das profundezas terrenas que, encantado com a donzela mais bela já vista, a deseja para si.

Hades pede então ao seu irmão Zeus que a conceda em casamento. Zeus, sem consultar Deméter, aceita o pedido do irmão. Mas Deméter, ao saber, intervém nessa decisão e não aceita ficar longe de sua querida filha. Hades, impaciente e sedento pela bela Perséfone, emerge da terra e a rapta enquanto ela colhia flores nos campos, levando-a para seus domínios no mundo subterrâneo e fazendo dela sua rainha.

Inconsolável, Deméter sai desesperada pelo mundo afora, sem comer e sem descansar em busca de sua filha, decidida a não voltar para o Olimpo enquanto não conseguisse. Durante o tempo em que Deméter fica fora do Olimpo, sem ânimo e sem forças para cuidar da natureza, as terras tornam-se estéreis, há escassez de comida, o gado morre e os grãos não germinam. O povo sofre de fome e doenças.

Deméter intercede junto a Zeus. Este, vendo o desespero de Deméter e a situação caótica em que estava a terra estéril, ordena a Hades que devolva Perséfone. Hades concorda, porém Perséfone tinha comido uma semente de romã, uma pequena prova de que ela não tinha rejeitado inteiramente Hades, e assim estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano com Hades, quando se tornaria a rainha do mundo subterrâneo, e o restante do ano junto a Deméter, quando seria a bela e jovem Perséfone, enchendo sua mãe de alegria e a terra de abundância e beleza.

Este mito celebra o equinócio de Primavera, onde a alma humana (Perséfone) se une à Natureza (Deméter) e tudo floresce e se embeleza.

A pintura retrata Hermes ajudando Perséfone a voltar para a sua mãe Deméter depois de Zeus ter ordenado Hades a devolvê-la.

Obra: O Retorno de Perséfone (1891)
Autor: Frederic Leighton (1830-1896)
Tipo: Óleo sobre tela
Localização atual: Leeds Art Gallery, Inglaterra

Eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí,

Na verdade, é um segredo que guardo...

é uma revelação que não posso sair dizendo por aí, que tenho medo que as pessoas se desequilibrem de si, que elas caiam delas mesmas, quando eu disser:

Eu descobri que a palavra não sabe o que diz!

A palavra delira! A palavra diz qualquer coisa!

A verdade, é que a palavra nela mesma, em si própria, não diz nada!

Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve!

Quando existe acordo, existe comunicação!

e quando esse acordo se quebra, ninguém diz mais nada! Mesmo usando as mesmas palavras!

 

A palavra é uma roupa que a gente veste

 

Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa para ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa.

E aí eu fiz uma receita!

 

Se a palavra é uma roupa, a palavra está suja demais!

Agente usa as mesmas palavras o tempo inteiro, as palavras estão engorduradas, então eu falei:

Receita para lavar palavra suja!

Mergulhar a palavra suja em água sanitária, depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia!

Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza, por exemplo, a palavra VIDA!

Existem outras, e a palavra AMOR é uma delas...que estão muito encardidas e desgastadas pelo uso! O que recomendo esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente...

São poucas as que resistem a estes cuidados, mas existem aquelas que dizem que limão e sal tira sujeira difícil!!!

Mas eu nunca ouvi palavra que está tão suja como perda! Perda e Morte.

Na medida que são alvejadas soltam um líquido corrosivo que atende pelo nome de amargura, se não lavadas, é capaz de esvaziar o vigor da língua e seu significado...o aconselhável neste caso, é manter de molho no amaciante de boa qualidade...

Agora se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, você pode usar sabão em pó e máquina de lavar!

PERIGO!

Misturar palavras que mancham no contato umas com as outras!

CULPA, por exemplo, mancha tudo que encontra!

Culpa, deve ser sempre alvejada sozinha.

Outra mistura pouca aconselhada AMIZADE e DESEJO...

desejo é uma palavra quase agressiva, e pode o que não é inevitável, desgastar a força delicada da palavra amizade...

Palavra FORÇA cai bem em qualquer mistura..

 

É importante não lavar demais as palavras, sob o risco de perderem o sentido,

Muito importante na arte de lavar palavras, é saber reconhecer uma palavra limpa,

Conviva com a palavra durante alguns dias, deixe que se misture em seus gestos...

Que passeie por sua expressão,

A noite permita que se deite ... não ao seu lado, mas sobre o seu corpo...

Enquanto você dorme, a palavra prolifera em toda sua possibilidade...

Se você puder compreender, essa convivência...

Aí você tem uma palavra limpa,

Uma palavra limpa,

é uma palavra possível.

 

 

Texto de Viviane Mosé, adaptação Ana Karla